Sham El-Nessim: Antigo Festival da Primavera do Egipto Celebrado há Mais de 4.500 Anos
Sham El-Nessim, que se traduz por “cheirar a brisa”, é um festival egípcio muito apreciado que anuncia a chegada da primavera. As suas raízes remontam a mais de 4.500 anos, à era dos Faraós, tornando-o um dos feriados mais antigos e continuamente celebrados do mundo. Originalmente conhecido como “Shamo”, que significa “renovação da vida”, o festival foi observado pela primeira vez por volta de 2700 a.C., durante o Antigo Reino do Egito. Os antigos egípcios assinalavam esta ocasião com banquetes aos pés da Grande Pirâmide e consumiam peixe salgado, simbolizando fertilidade e prosperidade.
A data do Sham El-Nessim estava intimamente ligada ao calendário agrícola e ao equinócio da primavera, um período em que o dia e a noite têm a mesma duração. Este alinhamento era determinado observando a posição do sol em relação às pirâmides no nascer do sol. À medida que o Egito passou por várias épocas religiosas, incluindo o Cristianismo e o Islão, a data do festival deslocou-se para coincidir com a Segunda-feira de Páscoa, mantendo, no entanto, a sua essência secular. Esta adaptabilidade sublinha a profunda importância cultural do festival, transcendendo barreiras religiosas e unindo os egípcios numa celebração conjunta da renovação da natureza.
No centro do Sham El-Nessim estão alimentos específicos carregados de simbolismo. O Fesikh, um peixe-muleta fermentado e salgado, é uma iguaria tradicional que é consumida desde os tempos antigos. Cebolas verdes e alface também fazem parte do banquete, representando a fertilidade e a renovação da vida. A prática de colorir e decorar ovos, emblemática de novos começos, acredita-se ter-se originado com os antigos egípcios e continua a ser uma atividade querida durante o festival.
O nome do festival, Sham El-Nessim, deriva do idioma copta, que, por sua vez, tem raízes no antigo egípcio. Originalmente pronunciado “Tshom Ni Sime”, traduz-se como “prados de jardim”, refletindo a tradição de passar o dia ao ar livre. As famílias reúnem-se em parques, jardins e ao longo do Rio Nilo para desfrutar de piqueniques, música e do agradável clima da primavera. Este envolvimento comunitário com a natureza reforça os temas do festival de renovação e unidade.
Hoje, Sham El-Nessim continua a ser um testemunho vibrante do rico património cultural do Egito. Apesar da passagem dos milénios, o festival continua a reunir egípcios de todas as origens numa alegre celebração da primavera. Os costumes duradouros de banquetes, pintura de ovos e encontros ao ar livre servem como uma ponte viva que conecta o presente ao antigo passado do Egito, destacando o desejo humano intemporal de honrar os ciclos da natureza e a renovação da vida.